As cartas de Elise


   

    (imagem colhida na web)

 

     eu não sei o que é um amanhã. o que eu sei é que me importa estar aqui, agora, amarrada no teu beijo, redesenhando teus lábios com a ponta da minha língua, lambendo teus dentes, um a um, respirando dentro da tua boca, aspirando teu hálito, engolindo tua saliva.  vivendo você, em e com. sentindo cada palmo da minha pele ser desnudo pelo teu tato descarado, desleixado, desarvorado. denso em minhas mãos, teu falo... você me fala de coisas tão nossas... e teu corpo me recita mantras, me refaz as curvas, me perde e me encontra viajando pra dentro de você, e você, dentro de mim, já! isso! lento... profano... sem vergonha, sem culpa e sem roupa. entra e me acha desfeita, escorrida, escaldada, úmida, aguada, molhada e revirada. bebe e come de mim, se farta do meu desejo e (di)gesta teu amor no meu colo, em meu ventre, em meus seios... banqueteia na minha vida e marca para sempre o sinal da tua saciedade na minha alma, porque ser teu pão, teu hoje, tua água,  teu instante, teu alimento e teu momento na eternidade é tudo o que me importa. só isso. mais nada.



 Escrito por Elise às 23h16
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     (Foto colhida na Web)

 

      sinto tua chuva batendo em meu corpo:

     tempestade que molha meu desejo,

     enxurrada de amor, minha saudade.

 

     chuva densa, e teu (m)olhar-poesia

     goteja em minha pelve,

     versejando a minha vontade.

 

     : nossa poesia em aquietude

     enternecendo a eternidade.



 Escrito por Elise às 21h44
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     (Foto colhida na web)

     

     365 à 2)

      porque é difícil me desvencilhar... meu corpo se acostumou a tua doce presença até a alvorada. terças-feiras, quintas-feiras, sábados, domingos de total e absoluto domínio de ti sobre mim. horas, meses, minutos, um ano, e dois, e mais, e mais, e mais... é muito difícil desatar 730 dias impregnados do perfume dos teus lençóis na minha pele. humanamente impossível me desprender dos teus nós, me soltar de nós... ainda há teu gosto-homem, sobre os meus lábios; ainda há teu hálito soprando na minha garganta, brisa adentro. ainda estou embaixo; você, ao centro... ainda há 730 vontades de você azulando o meu pôr-do-sol. e há mais outros 730 desejos permeando meus dias. ainda não sei me desfazer do sorriso que me provoca lagos entre as pernas; não sei me soltar do olhar que me esquentava o ventre, não sei largar a mão que conduzia minha boca ao cume do teu desejo... não dá. há 730 motivos para que eu não desista, há 730 marcas de baton na tua camisa, há 730 mordidas nas minhas coxas e há 730 chances de gozo... há a vontade desesperadora de te tomar entre meus lábios e sugar teu nome de novo; há um desejo avassalador de me esfregar nas tuas mãos e molhar, um a um, os teus dedos outra vez; há um desejo repetido de te oferecer suor e sexo. novamente, por mais 730 vezes. e todo o nosso amor ainda seria igual. ainda quero...



 Escrito por Elise às 01h04
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     (Foto colhida na web)

     -Affair-

 

      do fogo com que me queimas a pele

      a cicatriz que de ti aqui fica

      é o que me esperanceia.

 

      e de ti, sei (o) que sou

      : a fuligem que teu corpo expele

      o suor quente,  a brasa que não calcifica

      a  vermelhidão que romanceia.

 

 



 Escrito por Elise às 02h01
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     (Foto: Jorge da Fonseca)

     Sinto teu corpo

     sobre o meu.

     Cerro os olhos e,             

     na garganta,

     um grito se faz indizível,

     em compasso de espera.

     Silêncio...

     Meu peito se agita,

      meu  corpo treme

      e responde à (tua) poesia

     enquanto mergulhas

     em (nossos) sinais noturnos.

     E te vejo

     imerso

     em mim.

 

 

     [Nos meus lábios, (aqui e lá...)

     o desejo de decifrar

     teu signo

     desconhecido,

     lateja.

     Sussurra o teu nome.]

 



 Escrito por Elise às 00h26
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     (Foto colhida na web)

      -alquimia

      teu falo

     - talo de cravo -

     é cálice

     de liquido

     de raro efeito

     onde sorvo

     bebo

     engulo

     a poção

     do amor-perfeito.

 



 Escrito por Elise às 11h16
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     (Foto colhida na Web)

     abro os olhos e os braços e me abro toda. desabrocho, defloro, deslizo, derivo, resvalo, escorrego por teu corpo, e meu corpo estremece. terremoto, confusão. abalo sísmico nos meus poros, que são lagos do seu suor. e do meu. fluviais, nós. rio de desejo que entrecorta a aridez dos dias de não poder, e irriga nossas peles.  sal e sol. e ciumenta, a saudade dá seu lugar ao primitivismo da carne tua, maciça, que me invade e devora inteira. e eu louca, demente, psicótica, areia movediça, te engulo. e siso e juízo e tino nos olham de longe, espreitam, esperam, enquanto nós, avessos ao olhar da sensatez, nos misturamos. juntos, confundidos, embaralhados. cruzados e unidos. mãos e membros aderidos. chumbados. bocas e olhos molhados. chuva. e nos umedecemos qual vapor. e nos atraímos qual imã. pólos grudados. eletricidade. felicidade. leviandade. vaidade. animosidade. saudade. e todas as nossas imprudências e precipitações. ah, essa vontade...

 

 



 Escrito por Elise às 01h14
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      (Imagem colhida na web.)

    

       tocou meu peito

     e disse que seria meu,

     enquanto me lambia as pernas.

 

     eu, de-corada poesia,

     derretia toda prosa,

     poças, lagos, cisternas.

     

     teus caminhos em mim,

     sulcos na pelve, no dorso, saliva,

     nossas tatuagens eternas.

 

     de ti, sou o at(r)aque,

     o cais em que cais

     ao cair da madrugada, amor.

 

     - meu peito,

     monte herege provocando

     a folha dos teus olhos de cor.

     - tua boca,

     carne insolente

     incitando em meu corpo, o torpor.

 

 

 



 Escrito por Elise às 03h31
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     (Foto: Sergey Kharlamov)

     (Forever)

 

     A saudade (tua)

     me pegou pelo braço

     e  (nua)

     fez no meu regaço

     a batida (crua)

     do meu coração

     (alua)

     pulsando no espaço.

     Hoje sou (lua)

     crescente

     -estardalhaço-

     e em descompasso

     espero (melíflua)

     que assines teu nome

     dentro do meu abraço

     onde a saudade

     pactua

     desse amor

     em brasa

     (e perpetua)

     em aço.

     (vem e me tatua...)

 

   



 Escrito por Elise às 18h39
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     (imagem colhida na Web.)

      eu te amo tanto, que a simples menção do teu nome ao meu lado, numa praça qualquer, faz meu coração tremer, minha boca florear, minha visão apertar. fecho os olhos e te vejo em cada piscar de olho meu. lembro o teu olho me encarando e meu cílio te batendo palmas. era esse o meu convite, a minha senha. o olhar de renda, mormaceira, a piscadela. eu querendo ser tua no retalho da tarde que caía. nós, fazendo festa de olhos fechados. sei lá que sentimento é esse que excede os limites do necessário, tão demasiado, tão quantitativo em essência e excelência e que continua a aumentar, independente de contingências. é minha renda de bilro, o fio da seda, oferenda. renda-do-mar incrustada na tua rocha. são nossos corais. vai ver é mesmerismo, é lua crescente. indecente, inocente, não sei. sei que me deixa feliz... essa alegria trêmula que faz as crianças, ao me olharem, sorrirem claro feito espuma do mar. as crianças (me) entendem. vai ver é por ser eu mesma tão criança, com esse sentimento tão crescido dentro do peito, que eu cerro os olhos, floreio, tremo: just because you're you. 



 Escrito por Elise às 21h56
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     (Foto colhida na Web.)

     sobem em mim todas as tuas palavras de cobiça, e colhem o primeiro dos suspiros antes da nossa - pequena -  morte. ri e acha graça na minha carne tremente e acanhada, enquanto passeia pela pele suada, colhendo sumos assustados. encanta, seduz, enleva e brinca com o meu amor. ri. sorri. desce teu poema em espiral pelo meu corpo... enrosca tua poesia na subida - contorno de mim - rumo ao cume: a boca entreaberta. e invade... – a tua saliva tingindo o êxtase da mornitude do meu paladar. e a tua língua desenhando raios, vetores, raízes, riscos e riscos no meu pescoço desnudado pelo teu descaramento. sorri. ri. percorre o cimo do seio... o ventre em vertical... o subterrãneo em horizontal... e desliza, rodeia – sorrindo - o bolbo, antes de invadir, de jeito insolente, a minha intimidade. vem e sorri por uns instantes pro meu desespero lúbrico e brinca de fazer sorrir, pra calar o meu grito que, preso na garganta, suspira lento, em eco, pelas tuas palavras. e então, me sorri e me adormece. acalma e acalenta. ri, sorri. e quando eu acordar sorrindo, sobe de novo em mim e segreda repetidamente as mesmas palavras insaciáveis. inconstestáveis. imagináveis. risíveis. sorridentes. quase inconfessáveis.



 Escrito por Elise às 01h03
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      (Foto colhida na web)

      Haiti.

 

      o que toca o chão da terra

      é o que treme nas entranhas do mundo.

      profundo, em moto-contínuo,

      desmorona em segundos

      o humano ser

      aqui em mim,

      lá e ali,

      e em ti...

      e geme alto

      quando dilacera o asfalto

      rasgando a vida num fio.

 

      - e o coração, num grande vazio.

 

 

 

 

      *ajude através do site: www.vivario.org.br

 



 Escrito por Elise às 01h23
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      (Foto: Norm Murray)

      o que dizer do sentimento sem cortorno que não basta? do que se espalha sem margem e não delineia os sentidos? eu adormeço transbordada de você, amanheço imersa e, no entanto, há a estiagem. o que digo do que é tão fluído em mim e não te alcança? de tudo o que escorre, goteja, molha e embebe, por que o que umedece nunca é plural? entorno, derramo e sou nascente, porque não há suficiência. broto e sou vertente. verto tanto quanto é necessário. mais do que. verto para ver-te. verto num constante, firme, imutável e contínuo sentir. porque o que eu sinto escorre corpo-coração afora - e não há como trazer de volta. ocupa o mundo e ganha espaços. desordena e excede o meu mundo, os meus espaços. e sobeja. nunca apenas preenche. porque, onde você me faz falta, eu preciso sobrar.



 Escrito por Elise às 15h21
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      (Foto colhida na web)

      do gosto das coisas que pairam no chão enquanto o ar nos engole. e do braço firme que segura o desejo entre abraços. de derrapagens lúbricas em curvas sinuosas e retas extensas. do fechar e abrir dos olhos durante o delineio do sonho na retina que brilha em lascívia. do encontro do corpo-língua, que serpenteia na carne a vontade de desafiar mistérios e desvendar promessas. da lentidão apressada com que invade-me as divisas e te mergulhas. de ritmo, de balanço e maresia, balanço de mar,  balanço de amar e da poesia. dos lábios saboreando o gesto certeiro com que me tomas. e da palpitação urgente por senti-lo derramar.



 Escrito por Elise às 12h29
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     (Imagem: Eros)

     A minha anatomia te pulsa

     -desejo na corrente sanguínea, à deriva-

     Taquicardia de ti.

     Minha geografia é redesenhada     

     se escalas meu peito

     umedecendo-me

     venenosamente

     com suas artimanhas;

     minhas artérias se dilatam

     se sinto teu jeito

     a revirar-me

     v a g a r o s a m e n t e

     as entranhas.

     Sagrado, o que há de vir.

     Profano sentir.

     Amor de pecado, amor safado.

     De vísceras...



 Escrito por Elise às 19h24
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