 (Foto: Robert Minnick.)
meu corpo em ruínas quer a reconstrução das tuas mãos quentes, fundido-o. quer a irrigação da tua língua, dura, salivando na minha pele. terraplenagem, terra-planagem... vôo alto para dentro do teu olhar sacana... lembra quando pedias assim "danças pra mim?" e eu ria, ardia, sorria. nós pra lá, nós pra cá, e a vontade vinha densa, vinha tensa, vinha tesa e vinha deusa, marcando e ilimitando nossos terrenos férteis. planaltos e planícies em completa e total sintonia. afinidades magnéticas e imagéticas que ninguém mais poderia delimitar; que ninguém mais poderá delimitar. vem, me toma de assalto e fabrica, edifica e reestrutura meu corpo. não tarda, não demora, e arquiteta tua morada decisiva no terreno acidentado - levemente curvo - do meu quadril. invade, toma posse, se alastra, se espalha e deixa seu estigma magmático entre as pernas minhas. rega, umedece, molha, fertiliza, enraíza e colhe do meu gozo. desbrava, amansa, doma e domina. monda. monta... e deixa a minha saudade ali, demolida no chão.
Escrito por Elise às 22h34
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