As cartas de Elise


    

       (Imagem: Antoine de Villiers - Fervor)

 

      Queria-me (ele) talvez enamorada
      -voz doce e timidez em profusão-
      tão cândida qual luz em alvorada;
      mãos juntas ao colo em quase oração.

      Fosse outra situação, eu, recatada,
      largava-me ao leito, em mansidão,
      cerrava os olhos e, quase
cegada,
      deixava-me ao tato à exaustão.

      Cedesse, eu, estaria então abreviada,
      por ter em descompasso, o coração;
      mas faço-te, às vistas, desvirtuada,
      se o que me cega, amor, é a paixão.

      Por dentro, eu me sinto inflamada
      -se fora, pulsa em mim só adoração-
      minha veste toda, então, cai alarmada;
      mais alarmado tu, em
veneração.

      Deito-te em solo, nu, como cilada
      -me olhas - todo corado - rente ao chão-
      e acomodo a coxa lisa e decantada
      frente ao teu rosto, em quase ebulição.

      Esfrego-te, então, a carne molhada
      nos lábios sedentos à degustação;
      engole e escorre, a boca devastada
      e molhas-me de um mel em fermentação.

      Me aprumo, ajeito e desço maravilhada
      -teu olhar em mim, sublime enlevação-
      meu peito se desfaz em enxurrada
      e as pernas, já abertas, te cingirão.

      Engulo-te de vez, qual depravada
      -o quadril, tua tara, mexe na tua mão-
      a vergonha -de ti, de mim- já devassada,
      como devasso é nosso tesão.

      Te peço pra dizer: tu, minha amada!
      tu diz, sussurra com exatidão:
      - quero você, minha puta, largada

      de gozo em mim, gemendo  em união.

      Sentido a hora fatal aproximada,
     contraio a pelve em franca atração;
      teu jato então, em mim, já faz morada,
      meu gozo é longo, é tua sedução

      Desmaio em ti, então, já desgarrada
      -morres em mim, por pura indiscrição-
      a face rubra, a alma assustada,
      o corpo ferve em franca redenção.

      Olho pra ti, serena - não digo nada.
      tu ri, sorri, fala em amor pagão;
      te digo então: sou tua mulher doutrinada;
      diz tu: minha indulgência e salvação.

 



 Escrito por Elise às 12h43
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     (Foto colhida na web.)

 

     - oi! esbaforida, ofegante, apressada... assim, que nem o desejo que conduzia a tua mão ao meu cabelo, logo que eu batia à sua morada. tontura e timidez. um olhar fugidio, (como se me  fosse  possível fugir do desejo que me molha os sonhos mais pueris, mais puros, mais putos...) um sorriso vermelho, um  - olá, como vai você?,  e a minha saudade morre no teu abraço, e a espera nasce no vão dos meus seios arrepiados de tanto querer, de tanto correr. suor... mãos geladas, coração quente. e um tremor entrelaçado à vontade esparsa de querer sair dali (como se fosse possível me afastar do sorriso que me provoca o teu dedo, quando me sente os pêlos...) correndo, como se nada, nunca, houvesse acontecido. negação! invocação. sedução... paixão... ação! e um arrepio percorre a vida que se emaranha entre o meu corpo e o teu. e um amor líquido escorre pelas minhas costas encontrando a sua mão, que já me enlaça a tua vida. e uma língua quase pura - quase puta – quase poeta, me invade a boca e o pensamento e se impregna de mim, e eu, de você. saliva. vai, desliza em mim a tua fome, o teu gosto, teu cheiro, teu nome, teu pecado e teu perdão. diz pra eu não ter medo; diz que tudo isso aqui nada mais é que o pulsar despudorado do meu coração nas tuas mãos descompassadas: um desejo infantil, e só. diz que pouco importa o nome que se dá à grandeza disso, importa é que damos grandeza a isso (e nos damos...), mas diz que nada mais terá tanto valor quanto o medo do amanhã nascer sem a imensidão desse medo que toma conta agora, quando se pensa que o amanhã não se pertence, não se pode vir... ou pode não vir. vai, me toma nos braços e se esfrega sôfrego em minha pele,  que tem fome e sede do seu sal, do seu céu, do seu cio, do seu sol, do seu sul... and  of your soul, of your body (and nobody else..), e de você e de mim assim, úmidos. vai, agora me deixa entrar, e feche essa porta.



 Escrito por Elise às 23h45
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