
(Foto: Alexey Nikishin)
asfixia. taquicardia. tua palavra me toma de novo de assalto. tiro ao alvo. tua palavra, arma de fogo, a me sangrar saudade e desespero. aflição, angustia, ânsia. pulsação acelerada na curva dos teus sinais. rápida, veloz, ágil e imediata, a tua marca. ofegante, o meu peito; cianóticas, as minhas mãos; acelerado, o meu coração; rubra, a minha face. e a tua palavra me atrai, me puxa, me tenta, me assanha. me cala e me grita, berra, uiva, chama e convida. me carrega no colo e me traz de volta os manuscritos dos nossos pecados tão originais. doces palavras, venenosas, vestidas de saudade, calçadas de desejo, carregadas de intimidade. verbo incisivo, mordaz, conciso. primeira pessoa dos meus plurais, tu; concordância absurda, errônea e falsa. desgarrada. despropositada. desclassificada e desprovida. mas é esse teu transitivo direto que me toma nos braços e me reescreve os caminhos. é esse fragmento monocromático da tua letra em desalinho que estreita as distâncias e teima em alcançar os meus nuncas, os meus ais, os meus mais, aléns, tambéns, antes e sempres. o tempo todo, em qualquer tempo, o teu verbo é a minha prosa. a única. definitiva.
Escrito por Elise às 14h22
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