
meu dorso arranhado pela tua barba propositadamente mal feita. veludo. teus sinais na minha coluna vertebral, visceral, vigorosa. teus pêlos faciais em sintonia com meus poros eriçados e assanhados. calafrio e aflição. desejo de roubar eternamente pra mim o que é meu de fato, no ato... de quatro, eu; de joelhos, você; e paira no tempo e no espaço, uma oração, um mantra repetido e repetido incessantemente até a nossa purificação. reza profana. pecado sagrado. oferenda aos teus pés, eu. tontura e vertigem. galgas em mim e eu danço qual índia, chamando a tua chuva. doce (de)leite. fartura. tuas mãos na minha anca, minhas pernas na tua pelve. sincronia, simbiose, sal e suor. sofreguidão e sede. veneno, vinho, vodka, valium. em declive, você; em aclive, eu, ladeira acima. íngreme desejo da pele. vontade anelante e ansiosa de escorrer por entre teu desejo e envolver teu membro. gozo e prazer brincando com nossas entranhas. aridez liquefeita no encontro das águas. nossas águas. bentas.
Escrito por Elise às 16h35
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(Rodin: Cupido-Psique)
No entre, no todo, no tanto, no tudo
e enquanto e porém e contudo, todavia,
no entanto, no muito, no pranto, no riso
e afinal, na coragem e na covardia :
: É tua minha sede, meu sumo, suor,
meu sal, meu desejo, meu ventre e meu peito,
minha mão no teu dorso, meu sangue, meu siso,
meu lar e meu sempre, minha pátria e meu leito.
Tanto mais que ontem, sou tua, agora,
em pele, em poros, em pêlo, arrepios...
em entrega, em corpo, em carne e certezas,
em alma e embaraço, loucuras e desvarios.
Inteira e toda, absurdamente entregue,
em cor e contraste, desnuda, vestida,
sou tua, és dono, de mim, o posseiro,
no azar e na sorte, na morte e na vida.
Escrito por Elise às 16h58
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A vontade é de beber-te
em goles sôfregos
e desesperados,
saciar a sede
desse teu corpo úmido
em tragos trôpegos
mas obstinados,
enquanto tua língua
me tinge toda
dos vermelhos
escarlateantemente safados
que guardas em tua boca.
A tua saliva,
o teu sumo etílico
me embriaga
de tal forma, amor,
que te faço elixir
das minhas abstinências
e te bebo,
sorvo
e engulo....
...e então, teu hálito bordeaux
cabe(rnet) em mim
qual sopro rubro,
e leveda para sempre,
me(rlot) deixando todo o teu sabor noir.
Escrito por Elise às 12h51
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