As cartas de Elise


    

      (Foto: Georg Suturin)

       (Andar)ilha, essa minha solidão,

       esse meu poema à mingua,

       buscando um teto, um alento,

       perdendo-se no (teu) movimento.

 

       A falta -em mim- da tua mão,

       da palavra em qualquer língua,

       da pulsação em descompasso,                              

       de ter, alma adentro, o teu abraço.

 

       É essa espera, erosão...

       Corrosão, oca quimera.

       Verso baço...sonho vão...

 

       A saudade a (te) exigir...

       A querer (me) possuir...

       Vontade de ser teu tudo,

       reverso do teu verso mudo,

       ser teu desejo venial,

       teu pecado imortal,

       teu enredo,

       teu segredo,

       teu medo.

 

 



 Escrito por Elise às 13h52
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       Do nada, e ele :

       - vem!...

       e arrebata minha defesa,

       me fere com sua beleza;

       ele, tudo, eu ninguém.

       E então eu colho beijos,

       traço sonhos e desejos,

       perco o juízo, a razão :

       - abre as pernas, coração!...

       e eu me abro em emoção,

       percorrendo safadezas;

       mãos nos seios, ensejos

       do teu corpo e o meu

       ao chão; amplidão

       dos meus sentidos,

       e sussurros e gemidos :

       - me diz bobagens no ouvido!...

       e eu digo que te quero,

       te desejo, te venero,

       e te puxo :

       - encaixa, vem!...

       e anseio ir mais além,

       e me viro, em ti me encosto,

       e te digo: - isso, meu bem!...

       Tu diz: - ai, assim eu gosto...

       e no teu poema enrosco

       e me deságuas tua poesia,

       tua fome, alegria

       no meu verso, no meu vão,

       e cais sobre meu corpo

       e me faço teu colchão.

       Tu em mim, eu nua :

       -vê amor, o que aconteceu :

       tu, quase sempre meu,

       eu, completamente tua.

 



 Escrito por Elise às 16h54
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       (Foto: Sérgio de Bye)

       Um vão entre tu e eu,

       e um mar de palavras

       que nos une. 

       Um oceano entre tu e eu,

       e a minha palavra

       não fica imune

       ao verso teu.

 

       É a ardência do milagre

       atravessando maré fria

       na calada da noite.

 



 Escrito por Elise às 16h52
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