As cartas de Elise


     (Foto: Sergej Ryzhkov)

      Um desejo

      líquido

      de ti,

      escorre-me pelo corpo

      e atravessa (in)continente...

      Delicado como asas de pássaro

      mas denso como o ar

      que sustenta meu vôo,

      esse desejo nasce-me

      como um grito silencioso;

      vem alheio, à revelia

      e deliciosamente lascivo,

      enreda-me às portas (da noite)

      varando comigo

      madrugadas sem fronteiras.

      Um desejo latente,

      que se faz clandestino em mim

      e ainda assim

      é cidadão cativo...

      Habita-me.

      Toma meus dias,

      mastiga a minha boca

      e come da minha fome,

      devora meu corpo,

      meu sexo...

      Estrangeiro,

      esse meu desejo

      fita-me com íris oceânica

      devorando-me,

      e aproximando todas as distâncias...

 



 Escrito por Elise às 19h42
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Álvaro, Diana-Dru e Geórgia, um beijo pra vocês ;-)

 

 

Não podendo sair do Fahrenheit  451, que livro quererias ser?

R: ‘O Diário de Anne Frank’, sem dúvida! Sobretudo pelo ensinamento, em todo sentido que se possa pensar, que esse livro passa.

 

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?

R: Sim. Tive tempos de achar que era Iracema, de José de Alencar.(rs). Em poesia, já quis ser Ismália, de Alphonsus de Guimarães. Ah, aquela torre... Já quis ser também, um poema: ‘Antes de amar-te, amor’, de Pablo Neruda.

 

Qual foi o último livro que compraste?

R: ‘O Idiota’, Dostoiévski.  Ainda não li, e sinceramente não sei se vou ler. (rs)

 

Qual o último livro que leste?

R: ‘O livro completo da Filosofia’, de James Mannion; o conceito filosófico básico, de Sócrates a Sartre.

 

Que livro estás a ler?

R: ‘Mar Absoluto/Retrato Natural’, de Cecília Meireles. E reli ‘ O Perfume’, Patrick Süskind.

 

Que livros (5) levaria para uma ilha deserta?

R: Livros?! Eu levaria ‘Delta de Vênus’ de Anaïs Nin; a ironia, a força de Maiakovsky; a metafísica de Fernando Pessoa. Levaria um Atlas também, e um livro de orações. (E teria em minha mente, Neruda, Hilst, Quintana, Drummond, Bukowsky, Florbela...).

 

A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e por que?

R:  Butterfly.

      Dira.

      Gênio.    

 

 Bastante gente boa para responder, muitos já foram indicados e,  *gostaria de saber mais dessas pessoas que admiro. ;-)



 Escrito por Elise às 11h50
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  Aqui, um presente que ganhei. O poema é de Xabier Cordal, e chama-se Memoria da noite. Foi-me dado por alguém muito especial, então, eu quis partilhar. E quis também, logo abaixo, retribuir, da minha forma, esse presente. Jorge*, O Beijo. ;-)

 

         (Jorge da Capadócia e Princesa Sabra).

  Madrugada, o porto adormeceo, amor,

  a lúa abanea  sobre as ondas

  piso espellos antes de que saia o sol

  na noite gardei a túa memoria.

  Perderei outra vez a vida

  cando rompa a luz nos cons,

  perderei o dia que aprendin a bicar

  pallabras dos teus olhos sobre o mar,

  perderei o dia que aprendin a bicar

  pallabras dos teus olhos sobre o mar.

  Veu o loito antes de vir o rumor,

  levouno a marea baixo a sombra.

  Barcos negros sulcan a mañá sem voz,

  as redes baleiras, sen gaivotas.

  E dirán, contarán mentiras

  para ofrecerllas ao Pátron:

  quererán pechar cunhas moedas, quizais,

  os teus ollos abertos sobre o mar

  quererán pechar cunhas moedas, quizais,

  os teus ollos abertos sobre o mar.

  Madrugada, o porto despertou, amor.

  o reloxo do bar quedou varado

  na costeira muda da desolación.

  Non imos esquecer, nim perdoalo.

  Volverei, volverei á vida

  cando rompa a luz nos cons

  porque nós arrancamos todo o orgullo do mar,

  non nos afundiremos nunca máis.

  que na tua memoria xa non hai volta atrás:

  non nos humillaredes nunca máis.

 



 Escrito por Elise às 13h59
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     (Foto: Virgilio Narcis)

      Cai a noite

      Céu salpicado de estrelas.

      Banzo do crepúsculo

      roçando a minha emoção.

      Eu, enluarada...

      Ah!... Esse impulso metafísico

      de encostar-me em tua pele

      e desenhar meu nome.

      Lamber-te!

      Cravar-me...

      Fincar-te

      uma letra em cada poro,

      uma estrela em cada gesto...

      E, ao amanhecer,

      ter teus dedos cúmplices

      tateando meu corpo

      : escrevendo

      o teu amor

      em mim.

 



 Escrito por Elise às 13h39
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     (Rodin: The Cathedral)

      São tuas, as mãos que me guiam.

      São as tuas mãos que me inflamam.

      É tua palma a tocar-me

      que me encanta de ti.

      São teus dedos

      percorrendo as veredas do meu corpo

      -essa estrutura física lapidada

      pela fome do teu toque-

      que me desbravam o verbo.

      Ah... a leitura em braile

      desse teu toque...

      a expressão da tua caligrafia

      agarrada à minha pele,

      entrelaçada às minhas mãos...

      essas entrelinhas nas linhas das mãos;

      afago tátil em declive,

      carinho ao sul de mim...

      Quando teu tato me descobre,

      tens, nas tuas mãos, as minhas mãos;

      tens-me, entre tuas mãos;

      tens-me, em tuas mãos.

 



 Escrito por Elise às 12h30
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