As cartas de Elise


  

   (Foto: Reidulv Yngstad)

    

     Abraço cada serena lembrança tua

     e nelas me guardo da escuridão que avança,

     quando sorrateiramente te desprendes de mim

     e tua distância me transpõe feito lança.

     Então, sorvo cada lágrima derramada

     e nelas mergulho meus desvarios insanos,

     para gotejá-los em forma de desejo

     ao primeiro toque, em mim, dos teus dedos profanos.

     Da recordação do teu fio de voz

     -carinho sussurrado em meu ouvido-.

     teço uma teia de suaves palavras,

     enredando-me na nostalgia da tua libido,

     enquanto meus seios vigiam

     em extasiada e perene veneração,

     os beijos que entre eles deixaste,

     sinalizando e arrebatando meu coração.

     Recolho-me em saudade,

     e anoiteço.

     ...Mas, quando voltas,

     e teso,  me tira cada ocultante véu,

     violento, desmorona toda estéril proteção

     e avidamente transporta-me ao ápice da emoção,

     eu sacramento a promessa feita sob o (teu) céu:

     - sua, sempre-

     e torno-me plena, inteira, extensa,

     depois de ter adormecido

     na lembrança do teu peito pulsando,

     da tua boca molhando,

     do teu verbo penetrando...

     E vasta, ganho calor,

     raio de sol difundindo-se em mim.

     Verto luz.

     Alvoreço.

  



 Escrito por Elise às 15h36
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     (Foto: Dominique Heidy)

 

        O que arranha meus olhos

        e me fere a face,

        cegando meus sentidos;

        o que me rasga a pele

        enquanto alcança

        meus lábios hesitantes,

        denegrindo meu sorriso;

        o que atravessa

        - pontiaguda e perfurante -

        minha garganta silente,

        enquanto me engasgo em gemidos,

        não é a carência da tua presença,

        a privação da tua boca,

        ou a saudade do teu tato

        espalhando-se em mim.

        Habituado à tua falta,

        meu corpo já nem teme mais...

        O que me corrói o peito,

        martirizando-me as horas

        e acinzentado-me os dias;

        o que soluça alto dentro de mim,

        secando-me, tornando-me  vazia,

        é esse choro que não permito...

        queda d`água que me desafia...

        enchente de rio,

        de maré,

        de melancolia.

        Ah, essa lágrima arredia...

          

           * Deixo aqui um beijo especial para a  ' Loba ' que, carinhosamente, publicou um poema meu em seu blog. Loba-anjo, obrigada. :-)

            * Mais um beijinho, agora para a  ' Ametista ' que me deu o carinho de publicar em seu blog, um poema do Cartas. Beijo, menina. :-)



 Escrito por Elise às 12h28
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