(Foto: Reidulv Yngstad)
Abraço cada serena lembrança tua
e nelas me guardo da escuridão que avança,
quando sorrateiramente te desprendes de mim
e tua distância me transpõe feito lança.
Então, sorvo cada lágrima derramada
e nelas mergulho meus desvarios insanos,
para gotejá-los em forma de desejo
ao primeiro toque, em mim, dos teus dedos profanos.
Da recordação do teu fio de voz
-carinho sussurrado em meu ouvido-.
teço uma teia de suaves palavras,
enredando-me na nostalgia da tua libido,
enquanto meus seios vigiam
em extasiada e perene veneração,
os beijos que entre eles deixaste,
sinalizando e arrebatando meu coração.
Recolho-me em saudade,
e anoiteço.
...Mas, quando voltas,
e teso, me tira cada ocultante véu,
violento, desmorona toda estéril proteção
e avidamente transporta-me ao ápice da emoção,
eu sacramento a promessa feita sob o (teu) céu:
- sua, sempre-
e torno-me plena, inteira, extensa,
depois de ter adormecido
na lembrança do teu peito pulsando,
da tua boca molhando,
do teu verbo penetrando...
E vasta, ganho calor,
raio de sol difundindo-se em mim.
Verto luz.
Alvoreço.
Escrito por Elise às 15h36
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