As cartas de Elise


     (Rodin - O Beijo)

       Nesta hora, em que me confio tua

       e descubro, pertencerem-me, os teus lábios,

       a retraçarem em meu íntimo

       os caminhos que eu desviei

       no desvelo de esperar-te;

       neste momento, em que são meus

       os entrelaçamentos, todos,

       que me oferecem as tuas mãos,

       a acolher-me da arriscada trilha

       onde perdi-me a procurar-te;

       neste instante, em que entregas-me

       toda a tua fome, a tua poesia,

       em que tatuas em minha pele

       as letras do teu desejo

       e reescreves os meus sentimentos;

       agora, que teu verbo conjuga-se em meu corpo,

       e exprime em minha alma

       o tempo mais-que-perfeito das tuas cobiças,

       eu confio-me à tua boca,

       entrego-me ao teu tato

       e meu poema eriça-se  

       ao teu toque...

       Meu verso umedece-se

       sob teus beijos...

       Porque sei-te meu,

       sei, minha, a tua inspiração;

       e porque sabes, serem tuas,

       todas as minhas palavras.

                                              Elise



 Escrito por Elise às 14h50
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     (Foto: Shubina Olga)

 

       Cerrando meus olhos úmidos

       e vivendo delimitada pela tua partida,

       sigo minha vida em veemente torpor.

       A palavra que eu calei

       teimosamente perde-se em meus lábios;

       o que tua voz não confessou-me

       ecoa  insistentemente longe aos meus ouvidos.

       Há em mim apenas um vazio aflitivo,

       um nada dolorosamente consternado;

       nem a tua saudade habita-me mais.

       Nua de ti,

       sou  desamparo, mero desalento,

       e o que resta a assombrar-me

       é somente a tua ausência

       no intervalo dos meus braços,

       no vão dos meus abraços,

       entre os meus silêncios...

       ...

       ..

       .

                                                     

                                                    Elise



 Escrito por Elise às 12h29
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     Soneto feito a quatro mãos. Antonio, meu querido amigo, obrigada! :-)

    

      Baile de máscaras, sedas, cetim,

      vestidos de noite soprados à brisa;

      sussurros na dança, faces carmim,

      par raro e refeito na pista desliza.

 

      Do céu vem a chuva, gotas marfim;

      refúgio carnal por desejo avisa,

      pescoço beijado, perfume jasmim,

      no ouvido soprado, seu nome Elisa.

 

      Intenso arrepio, suspiros sem fim

      nas águas da chuva, Elisa, narcísea,

      espelha o rosto do amado Tunim.

 

      Cadência perfeita, orquestra precisa,

      dois enamorados, realizam, enfim

      o desejo inconfesso que o bailar concretiza...

                                                    

                                                Antonio e Elise



 Escrito por Elise às 17h33
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      (Foto: João Gonçalves)

      E se um dia eu puder ser teu porto,
      ser teu permanente laço
      e ter em minhas mãos
      o teu destino, teu passo;
      ser, sem mácula,
      a transparência do teu querer
      e te envolver num abraço...
      Se eu puder resgatar-te
      desse vôo dolorido,
      dessa mágoa desmerecida,
      refazer teu doce sorriso partido
      e ensolarar tuas asas anoitecidas,
      eu te devolvo a alegria,
      tomo-te as dores,
      desprendo-te
      e parto aflitiva
      lacrimejando a felicidade perdida,
      transbordante de saudade,
      de íntima vontade sem fim,
      contemplando teu vôo etéreo,
      desenlaçando-se de mim...

                                 Elise



 Escrito por Elise às 16h56
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