 |

No momento em que tua presença atrevida
vislumbra meu respirar sufocante,
trazendo sopro de vida
ao meu dia agonizante,
ancorando-me, refugiada,
às margens da tua solitária ilha,
-fortaleza em meu mar de fúria-
eu anseio que teu coração cadenciado
caia em meu aflitivo silêncio,
tranqüilizando o pulsar descompassado
das minhas noites de não ter-te,
revelando a partitura
da rara melodia
que eu criei à tua procura...
Na hora em que tua boca ávida
delineia meu desejo - por ti - desvelado
invadindo minhas sequiosas fendas,
contornando meus segredos, meu querer-te,
eu preciso que seja, toda minha,
a tua ousada pretensão,
a intensidade da tua paixão;
e com teu sentimento me deito,
desmorono, me deleito,
entrego-te meu amor infinito,
a febre do meu peito
e em audaciosas palavras
enleamos urgentes estrofes
saltando por sobre sonetos,
e meu verso despido
envolve e enreda
nossa inevitável queda.
Elise
Escrito por Elise às 00h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto: Jorge Casais)
Derramado aos teus pés,
o meu desvairado desejo
pulsa dissimuladamente;
dos meus impulsos em delírio
vertem vontades inconfessas,
quereres não explorados,
anseios apaixonados.
Os meus vãos, todos,
sendo preenchidos por tua ternura;
tuas cobiças sendo redimidas
pelas minhas transgressões.
Meu amor te sacia
e tua fome -de mim- me enreda.
Confiados a mim
o teu corpo,
a tua alma,
o teu verbo.
Entregues a ti,
a minha carne,
o meu espírito,
os meus versos.
Elise
* Meus queridos: peço desculpas pela ausência de visitas em blogs que tanto adoro ler, pela demora em postar aqui no Cartas, ou mesmo por não responder aos comentários feitos aqui. Motivos alheios à minha vontade me impedem de estar sendo assídua com vocês, mas tão logo tudo se resolva, eu prometo compensar isso. Saudades de ler todos. Um beijo carinhoso.*
Escrito por Elise às 17h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto: Vitor Melo)
Há de acontecer numa dessas noites
entre o cintilar de estrelas cadentes
e o esplendor tênue da lua,
o encontro de nossas vidas querentes,
o entretecer da minha veleidade
entrelaçando-se à promessa tua.
Há de ser num tempo terno
entre o dissipar da tua dúvida
e a clareza da minha convicção,
que nossas bocas irão aproximar-se,
e tua pulsação acelerada será a melodia
a acalentar minha enamorada paixão.
Há de ser num momento abençoado
entre o teu passado certamente maculado
e o meu futuro provavelmente incerto,
que o bálsamo do teu corpo
inundará meu coração deserto,
e a essência da minha alma
redimirá teu oceano profanado;
há de ser neste instante mágico
que a delicada sintonia
entre tua intensa vontade de se apaixonar
e o meu imenso desejo de amar,
cicatrizará as chagas
dessa dolorosa distância
e nos salvará dessa espera...
Escrito por Elise às 15h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto: Szymon Rad Dederko)
Sem você,
as letras todas,
habitam em mim
inexatas.
Vegetam as dúvidas
rimadas de dor
e as palavras esculpidas
equivocadamente
à faca.
Na tua falta,
o que me resta
é o verbo oco,
a saudade vã,
o vazio inacabado
dos poemas.
Sem ti,
meu chão é trêmulo,
meu céu é frívolo
e o que inspira
meu vôo íntimo
são somente teus versos
tatuados na minha pele,
nas minhas cartas.
Elise
Escrito por Elise às 14h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto: Yuricsson)
Teu mar
-eufórico-
lança-se em jorro
em minhas teias.
Rebentação de ondas,
transbordando vida,
pulsando latente
em minhas veias.
Hoje,
meu lago dormente
-aflitivamente entorpecido-
renasce
em cachoeiras.
Hoje,
invadida das tuas águas,
resgato ilusões,
recupero esperanças,
desfaço minhas prisões,
minhas cadeias.
É teu oceano
-de amor-
dominando
minhas areias...
Elise
Escrito por Elise às 22h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
*poema inspirado no texto restos imortais, de Che Vianna, (http://www.angelofsilence.theblog.com.br/ ) escrito em 31/07/2004.*
(Foto: Asieek)
Porque era iluminada nossa espelhada face,
pelo riso inocente e leve que fluía;
transformando nossas noites, nosso enlace,
em pleno êxtase, em gozo, em alegria.
Porque ainda é do meu perfume inebriante
que a tua madrugada chora a falta;
na tua cama, ainda há o contorno do meu semblante,
e na minha pele, a tua marca, ainda se exalta.
Porque tua nostalgia de mim ainda persegue-te
e ainda é por ti, meu infinito desejo a pulsar;
tornando-me desatinada, incapaz de esquecer-te,
transformando-te num ser incompleto, a me recordar.
Porque deliciosamente intenso e profano,
nosso cúmplice prazer nos habitava;
minha latência saciava teu desejo insano,
e em mim, teu rio de cobiças desaguava.
Porque ainda é teu meu inflamado coração,
minha alma, meus anseios, minha pluralidade;
porque entregando-me a ti, eu era paixão,
porque dando-se a mim, tiveste prazer de verdade.
Porque serás meu homem eternamente
e eu, tua mulher, teu sol de vaidade;
envolva-me, abraça-me suave e lentamente,
e me deixa aplacar essa incandescente saudade...
Volta...
Elise
Escrito por Elise às 21h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto:Tiago Reis)
Teu toque
- às vezes agreste-
tatua meu denso poema
e impregna em minha pele
rastros da tua branda palavra.
Às vezes leve,
teu toque eriça minha vontade,
lentamente conduz... insinua...
e me torna, de ti,
extasiada escrava.
Teu toque descarado
- em meu corpo-
delineia as clandestinas letras
intensamente sonhadas.
Em minha alma,
teu toque dissimulado
sublinha sutis estrofes
minuciosamente realizadas.
Tocada por ti,
não há diferença
entre cobiça
e afrodisia.
Assim, plenamente tocada,
não há mais distância
entre atração
e poesia.
Elise
Escrito por Elise às 14h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
(Foto:Vladimir Melnik)
Solitária,
sem qualquer palavra tua,
meu fio de voz evapora
sob o aflitivo sol da saudade,
e eu desvaneço em desejos vãos.
A ausência das tuas chuvas torrenciais
sobre meus vastos desertos
é meu flagelo,
insuportável castigo;
minha alma árida
revive tua presença,
tua insaciável fome de mim
e em estilhaços,
sucumbe a condenação
de ser plena estiagem.
Desfaleço.
É inútil pensar em germinação.
Ao chão, em solo infértil,
choro os meus versos
derramados...
Elise
Escrito por Elise às 14h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Quando teu enigmático olhar
encontra minha tênue escuridão
inaugurando em meus olhos
resplandecentes estrelas;
quando teu corpo quente
sonda minha fria blindagem
-couraça frágil-
derretendo restos de insana proteção;
quando de tuas solicitantes mãos
brotam licenciosos carinhos
tateando minhas violentas curvas,
eriçando meu ávido desejo;
quando tua lúbrica voz
em lasciva cascata poética
deságua em meu inocente silêncio
profanando minhas crenças;
quando silenciosamente vens para mim
insolentemente teso
e me derramas as águas da tua fonte
irrigando meus campos estéreis,
eu me curvo a ti, iluminada,
vorazmente desprotegida,
inteiramente umedecida,
fatalmente fecundada
e renasço
plenamente amada.
Elise
Escrito por Elise às 16h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
 |


|
 |