As cartas de Elise


     (Foto: Shubina Olga)

      Ainda habita em mim

      o desejo de que tuas invasoras mãos

      me arranquem as poucas vestes

      e desvele meus sete véus.

      Ainda anseio que teu lascivo olhar

      me desenhe nua

      e me conduza à lilith

      dos teus céus.

      Ainda peço que me abraces

      e me arrastes feito vendaval

      que liberta meu corpo

      levando-me à tua transgressão atemporal.

      Ainda suplico que tua boca sedenta

      invada minhas curvas e fendas

      e macule minhas sendas.

      Necessito infringir-me, amor.

      Ainda peco;

      que nada me absolva.

      Vem...

 

                                Elise

 



 Escrito por Elise às 13h58
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       (Foto:Alfredo Ventura de Sousa)

        Oscilando em minhas mãos,

        a tua despedida ácida

        escorre lentamente,

        derretendo meu verbo.

        Fatalmente dilacerada,

        eu examino tua falta

        na esperança de reencontrar

        meus versos padecidos.

        Teu adeus liquefaz meu peito,

        meu pulsar geme frágil;

        as palavras dissipam-se

        em minha garganta corroída.

        A torpe saudade de ti

        consome meu grito rouco,

        abafa meus soluços,

        desvanece minha voz.

        Adoeço em silêncio.

        Mãos feridas,

        tateio as lascas de dor

        que dividem o leito comigo...

 

                                     Elise

 



 Escrito por Elise às 10h23
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    (Foto: Sergey Kharlamov)

   

    Alinhavou minhas desconsertadas palavras

    com suas mãos de supremo alquimista;

    fez delas uma fantasia encantada,

    fez de mim sua obra completa; artista.

 

    Caminhou pelo meu corpo em delírio,

    revendo-se inteiro nas minhas emoções;

    eu espelhava seus doces sorrisos,

    ele refletia a intensidade dos nossos corações.

 

    Conduziu minhas secretas insanidades,

    livrando-me das minhas internas algemas;

    mergulhou em minhas sedentas vontades,

    e fez dos meus medos, poemas..

 

    Nadando sôfrego à deriva,

    ancorou seus versos em meu ser;

    eu, que tinha a alma afogada,

    emergi plena, cúmplice, cálida,

    e fui brasa a arder.

 

    Retalhada letra que eu era,

    tive costurada minha alma multifacetada;

    ele, co-autor da minha versão original,

    eu, resultado de sua arte-final.

    Enigmaticamente resgatada...

    Decifrada...

    Apaixonada.

 

                                     Elise

 



 Escrito por Elise às 03h02
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           Do meu peito rasgado,

           saem aos pedaços

           a saudade indevida de ti.

           Sangro.

           Líquido jorrando,

           o vermelho se confunde

           com meu verso escarlate;

           a tua não-presença

           quebra meu verbo

           e me enjoa as estrofes;

           minhas veias latejam dor

           e tua prosa indefinida

           violenta minha pulsação.

           Dia branco.

           Eu, enegrecida,

           aborto-te de mim.

 

                                   Elise

 



 Escrito por Elise às 13h08
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    Ele chegou envolto em dizeres cristalinos,

    lendo-me inteira nas entrelinhas,

    decifrando meus sutis desatinos,

    colorindo-se das matizes que eram minhas.

 

    Eu serpenteava a distância os seus segredos,

    ele idolatrava minha alma sem face,

    eu versava nele os meus medos,

    ele intrigava-se com o veneno do meu enlace.

 

    Através da nossa teia subliminar

    compartilhávamos um tímido sorriso,

    eu, imaginando o seu olhar

    ele, sobrevoando meu paraíso.

 

    No apogeu de nossa tênue sintonia

    cedeu, diante do muro de senhas erguido,

    entregou-me sua aura pincelada de melancolia

    e permaneceu, achando que havia partido...

 

                                       Elise

 



 Escrito por Elise às 15h25
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   (Foto: W. R. Zone)

    Teus atrevidos dedos

    desenhavam minhas convulsivas teclas,

    arrancando maliciosos movimentos;

    eram lascivos vetores, vertendo de mim

    ventre à fora,

    as explosões incontidas

    da minha inspiração descompassada.

    Teus afoitos dedos

    entre as violadas teclas,

    sugeriam o interstício

    do toque ao seio intumescido;

    rompiam acordes,

    enlouquecendo minha cadeia de sóis,

    bemóis e sustenidos.

    Teus dedos insolentes,

    com a desobediência do Alegro

    tateavam as vigorosas curvas

    do meu sexo exigente;

    turbilhão desencadeando em meu corpo

    respirações em descompasso,

    feito melodia desafinada.

    Eu, sem pejos,

    ritmada aos teus pedais,

    sorvendo tuas notas musicais.

    E o meu desejo,

    por ti,

    cadenciado.

 

                                         Elise

 

     * L'amor existeix, però s'allunya
        de la gent com nosaltres, amor meu.
        dels teus ulls embriagats de sexe.

 



 Escrito por Elise às 21h59
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 Não podemos lidar com a emoção alheia sem correr o risco de sermos confundidos ou de mesmo nos perdermos na ilusão do outro.

 Diana-Dru http://dianadru.blog.uol.com.br

  (Foto: Eva Duarte)

  Elise,

  ventre de mãe

  colo de amante

  deixe que deslize em gotas-poema

  todo teu lago ofuscante

  todo teu olhar di amante...

  És menina

  És a dona do teu império.

  Me conceda, me ensina

  a decifrar esse mistério

  de ser tão doce com olhos de felina

 

  Elise

  asas de anjo, rosa tatuada

  na nuca alourada...

  Jamais me avise

  quando derramares seus momentos-poema

  pelo caminho.

  Arrebenta meu coração

  com os sonhos brilhantes

  que incendeiam teu coração.

  Mais um presente de alguém que sabe como ninguém mexer com a emoção alheia. Obrigada, Angel!

  Gothic Angel http://dosporoesdeumanjogotico.zip.net



 Escrito por Elise às 13h29
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            (Foto: Rui Simas)

            Continuo

            crestada por essa chama

            -ausência crepitante de ti-

            que teima em permanecer,

            consumindo-me.

            Minhas pulsações são

            centelhas aflitas,

            incendiando meu peito;

            meus olhos vertem

            fagulhas de dor,

            ressecando minha face.

            Labareda crescente,

            a saudade de ti

            ainda arde.

            Minha vida

            desmancha-se em cinzas.

            Sigo inflamável,

            queimando...

                             Elise



 Escrito por Elise às 13h03
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          (Foto: Lee Shy)

            Hoje

            o que eu encerro em meu ser

            são lendas e desassossegos,

            dores e lágrimas,

            antigos espinhos

            e adeuses, muitos.

            Agora

            eu me perfumo

            da essência que exala de mim

            e encontro em meu olhar onírico

            o reflexo dos versos inocentes

            que crio pecando.

            Meus seios intumescidos

            são aveludadas pétalas,

            ninho de pólen,

            colo e alimento,

            aguardando-te, pássaro migrante.

            Do meu ventre

            brotam desejos inconfessáveis

            e eu fecundo palavras,

            embrionárias letras,

            que emergem à luz

            no momento em que tu choves

            em mim.

            Então, eu renasço em ti

            revelando a tênue linha

            que me divide

            em mulher e flor.

 

                                          Elise

 



 Escrito por Elise às 22h17
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               (Foto: Cesar Braga de Oliveira)

 

              A imensidão que habita em ti

              me torna singular, satélite sideral,

              e eu oscilo em tuas marés

              contemplando tua grandeza

              de deus Netuno.

              Agradecido,

              me refletes em teu espelho de êxtase

              e eu derramo minha luz incandescente

              sobre teu profundo olhar oceânico,

              que exalta minha plácida palidez.

              O eco dos teus murmúrios azuis

              ressoa em meu quarto-crescente

              e acompanho-te prateando tuas ondas

              até alcançares a arrebentação.

              Quando as águas revoltas do seu templo

              umedecem intensamente

              minha fase plena,

              eu me revelo narcísea...

              Enluarada...

              Cúmplices...

              Você reflete a mim,

              eu absorvo a ti.

                                      Elise



 Escrito por Elise às 17h42
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            (Foto: Borodin Roman)

               Em minhas mãos trêmulas,

               todos os teus carinhos congelados

               e a tua falta cristalizando meu verso.

               Gotas de dor oscilam em minhas mãos,

               paralisando minha gramática desacertada,

               que insiste em rabiscar

               as sublinhadas letras

               que levaste contigo.

               Nas palmas nevadas,

               o gélido cristal moldado

               denuncia fragmentos disformes

               de palavras não escritas

               e estilhaços de poesia,

               transformados

               em lágrima solidificada.

               Os meus dedos são

               quartzos distorcidos,

               lapidados pelo reflexo

               -gelado-

               da ausência do teu verbo.

                Frio...

                 

                                                        Elise

 



 Escrito por Elise às 18h32
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               Porque minhas mãos suadas

               conduziam teus carinhos

               e teus olhos famintos

               eram as janelas

               da minha sutil emoção;

               me consumiam.

               Atônita,

               eu me desfazia em ternura

               agarrando-me a ti,

               e me percorrias pêlos e pele,

               envolvendo-me em véus

               de volúpia.

               Desejos primitivos

               que nasciam em meu ventre,

               e explodiam em teu peito,

               ecoando nos corpos desnudos

               a fecundação das almas

               que habitavam silenciosamente

               os corações,

               exigindo amor em voz alta...

 

                                               Elise

 



 Escrito por Elise às 11h47
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