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(Foto: Norm Murray) o que dizer do sentimento sem cortorno que não basta? do que se espalha sem margem e não delineia os sentidos? eu adormeço transbordada de você, amanheço imersa e, no entanto, há a estiagem. o que digo do que é tão fluído em mim e não te alcança? de tudo o que escorre, goteja, molha e embebe, por que o que umedece nunca é plural? entorno, derramo e sou nascente, porque não há suficiência. broto e sou vertente. verto tanto quanto é necessário. mais do que. verto para ver-te. verto num constante, firme, imutável e contínuo sentir. porque o que eu sinto escorre corpo-coração afora - e não há como trazer de volta. ocupa o mundo e ganha espaços. desordena e excede o meu mundo, os meus espaços. e sobeja. nunca apenas preenche. porque, onde você me faz falta, eu preciso sobrar.
Escrito por Elise às 15h21
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 (Foto colhida na web) do gosto das coisas que pairam no chão enquanto o ar nos engole. e do braço firme que segura o desejo entre abraços. de derrapagens lúbricas em curvas sinuosas e retas extensas. do fechar e abrir dos olhos durante o delineio do sonho na retina que brilha em lascívia. do encontro do corpo-língua, que serpenteia na carne a vontade de desafiar mistérios e desvendar promessas. da lentidão apressada com que invade-me as divisas e te mergulhas. de ritmo, de balanço e maresia, balanço de mar, balanço de amar e da poesia. dos lábios saboreando o gesto certeiro com que me tomas. e da palpitação urgente por senti-lo derramar.
Escrito por Elise às 12h29
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 (Imagem: Eros) A minha anatomia te pulsa -desejo na corrente sanguínea, à deriva- Taquicardia de ti. Minha geografia é redesenhada se escalas meu peito umedecendo-me venenosamente com suas artimanhas; minhas artérias se dilatam se sinto teu jeito a revirar-me v a g a r o s a m e n t e as entranhas. Sagrado, o que há de vir. Profano sentir. Amor de pecado, amor safado. De vísceras...
Escrito por Elise às 19h24
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 (Foto: Robert Minnick.)
meu corpo em ruínas quer a reconstrução das tuas mãos quentes, fundido-o. quer a irrigação da tua língua, dura, salivando na minha pele. terraplenagem, terra-planagem... vôo alto para dentro do teu olhar sacana... lembra quando pedias assim "danças pra mim?" e eu ria, ardia, sorria. nós pra lá, nós pra cá, e a vontade vinha densa, vinha tensa, vinha tesa e vinha deusa, marcando e ilimitando nossos terrenos férteis. planaltos e planícies em completa e total sintonia. afinidades magnéticas e imagéticas que ninguém mais poderia delimitar; que ninguém mais poderá delimitar. vem, me toma de assalto e fabrica, edifica e reestrutura meu corpo. não tarda, não demora, e arquiteta tua morada decisiva no terreno acidentado - levemente curvo - do meu quadril. invade, toma posse, se alastra, se espalha e deixa seu estigma magmático entre as pernas minhas. rega, umedece, molha, fertiliza, enraíza e colhe do meu gozo. desbrava, amansa, doma e domina. monda. monta... e deixa a minha saudade ali, demolida no chão.
Escrito por Elise às 22h34
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 (Foto: Fabrício Jimenez)
Air France. na calada da noite fria, o silêncio é risco, faca de fogo, trovoada, pane, ensurdecimento e agonia - a madrugada, voyeuse, sozinha... ecoando quatrocentos e quarenta e sete temporais na chuva da saudade minha. [o dolorido Último Tango...]
Escrito por Elise às 16h55
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 (imagem colhida na web.) dessas pequenas posses tuas tão minhas... da palavra tua, que vem e costura todas as rupturas do tecido dos poros meus que te respiram dias e noites. do sono agitado pela falta do teu corpo quente aliciando sonhos ao meu lado. da eternidade mesma com que (me) habitas mesmo estando (eu) inerte. do que transborda e se opõe aos nãos e se põe em sins, em sóis, em si, em mim, em ti. em nós. do que é acalento quando a tua voz invade (no meio da minha tarde morna) meus devaneios e incita o desejo fálico de pêlos teus entre as pernas minhas. do que é o teu dedo passeando pelos meus lábios tentando te registrar a forma d’eu sentir o gosto teu diluído na minha língua. do que é o arrepio quando o vento da lembrança te traz junto e te cola à pele minha que, nua, se molda na tua latência e te diz: devora... do que é mero pensamento e, no entanto, o tem todo; tem-no, todo. do que é dúbio tanto quanto é certo. do que é, do que foi, do que seria se pudesse ter sido diferente. e do que é tão igual em mim e em você.
Escrito por Elise às 10h34
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(Foto colhida na web.)
há mais de ti em meus vãos do que sonha a tua vã fantasia.
há mais de mim em tuas mãos do que supõe essa vilã nostalgia.
Escrito por Elise às 01h05
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(imagem colhida na web)
é quando as minhas mãos tremem, as minhas pernas ficam moles e eu tenho certeza de que esse gosto amargo que eu sinto dentro da boca é o néctar da doçura que eu trago no peito. é quando eu sei que já disse todas as coisas de todas as formas, e ainda sinto presas dentro de mim, todas as palavras. é quando meu infinito particular vira licença poética e alça vôo na realidade timbrada com as iniciais dele, exorcizando o que tanto me tesa. é quando a pele morna dele se encosta na minha e só me faz querer um abraço. é quando eu me ajoelho e olho pra cima durante a desesperança e a euforia que ganham força dentro de mim, e eu transito entre o que eu quero e o que eu nunca deixei de querer... é quando minha boca se entreabre, suculenta, e a acidez do vinho branco se mistura com o gosto das sementes todas que ele planta na minha língua em espiral, enquanto me diz - minha! gostosa... só minha! -, e eu gosto. é quando o gemido abafado dele ecoa através dos meus cabelos enrolados nas mãos dele, enquanto me põe em pé e me beija a boca, sussurrando que me ama. é quando as mãos dele, em concha, se encaixam nos meus seios e os acariciam como se fossem germinar ali, sob aquele tato, enquanto os olhos dele me desnudam antes mesmo da nudez escancarada do meu amor atacá-lo. é quando ele se encaixa entre as minhas coxas com a mesma violência com que me prende à parede e me lambe o pescoço com a delicadeza de quem quer traçar um caminho que prolongue o momento... é quando tão atada, tão eriçada, tão encantada, tão controversa no verso em contramão que me atravessa a vulva estou eu, nele, que meu corpo todo é vibração saindo pelos poros. é arrepio. é amor líquido na corrente sanguínea e o corpo dele é fonte explodindo vida no meu ventre sedento. dilata, jorra, pulsa junto com as minhas contrações... é quando bate o meu peito junto ao peito dele de quando em sempre em sonho em suor e rápido em ritmo em arritmia e taquicardia em grude em gozo em festa fast fast fast fast...
Escrito por Elise às 16h11
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(Imagem: Antoine de Villiers - Fervor)
Queria-me (ele) talvez enamorada -voz doce e timidez em profusão- tão cândida qual luz em alvorada; mãos juntas ao colo em quase oração.
Fosse outra situação, eu, recatada, largava-me ao leito, em mansidão, cerrava os olhos e, quase cegada, deixava-me ao tato à exaustão.
Cedesse, eu, estaria então abreviada, por ter em descompasso, o coração; mas faço-te, às vistas, desvirtuada, se o que me cega, amor, é a paixão.
Por dentro, eu me sinto inflamada -se fora, pulsa em mim só adoração- minha veste toda, então, cai alarmada; mais alarmado tu, em veneração.
Deito-te em solo, nu, como cilada -me olhas - todo corado - rente ao chão- e acomodo a coxa lisa e decantada frente ao teu rosto, em quase ebulição.
Esfrego-te, então, a carne molhada nos lábios sedentos à degustação; engole e escorre, a boca devastada e molhas-me de um mel em fermentação.
Me aprumo, ajeito e desço maravilhada -teu olhar em mim, sublime enlevação- meu peito se desfaz em enxurrada e as pernas, já abertas, te cingirão.
Engulo-te de vez, qual depravada -o quadril, tua tara, mexe na tua mão- a vergonha -de ti, de mim- já devassada, como devasso é nosso tesão.
Te peço pra dizer: tu, minha amada! tu diz, sussurra com exatidão: - quero você, minha puta, largada de gozo em mim, gemendo em união.
Sentido a hora fatal aproximada, contraio a pelve em franca atração; teu jato então, em mim, já faz morada, meu gozo é longo, é tua sedução
Desmaio em ti, então, já desgarrada -morres em mim, por pura indiscrição- a face rubra, a alma assustada, o corpo ferve em franca redenção.
Olho pra ti, serena - não digo nada. tu ri, sorri, fala em amor pagão; te digo então: sou tua mulher doutrinada; diz tu: minha indulgência e salvação.
Escrito por Elise às 12h43
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(Foto colhida na web.)
- oi! esbaforida, ofegante, apressada... assim, que nem o desejo que conduzia a tua mão ao meu cabelo, logo que eu batia à sua morada. tontura e timidez. um olhar fugidio, (como se me fosse possível fugir do desejo que me molha os sonhos mais pueris, mais puros, mais putos...) um sorriso vermelho, um - olá, como vai você?, e a minha saudade morre no teu abraço, e a espera nasce no vão dos meus seios arrepiados de tanto querer, de tanto correr. suor... mãos geladas, coração quente. e um tremor entrelaçado à vontade esparsa de querer sair dali (como se fosse possível me afastar do sorriso que me provoca o teu dedo, quando me sente os pêlos...) correndo, como se nada, nunca, houvesse acontecido. negação! invocação. sedução... paixão... ação! e um arrepio percorre a vida que se emaranha entre o meu corpo e o teu. e um amor líquido escorre pelas minhas costas encontrando a sua mão, que já me enlaça a tua vida. e uma língua quase pura - quase puta – quase poeta, me invade a boca e o pensamento e se impregna de mim, e eu, de você. saliva. vai, desliza em mim a tua fome, o teu gosto, teu cheiro, teu nome, teu pecado e teu perdão. diz pra eu não ter medo; diz que tudo isso aqui nada mais é que o pulsar despudorado do meu coração nas tuas mãos descompassadas: um desejo infantil, e só. diz que pouco importa o nome que se dá à grandeza disso, importa é que damos grandeza a isso (e nos damos...), mas diz que nada mais terá tanto valor quanto o medo do amanhã nascer sem a imensidão desse medo que toma conta agora, quando se pensa que o amanhã não se pertence, não se pode vir... ou pode não vir. vai, me toma nos braços e se esfrega sôfrego em minha pele, que tem fome e sede do seu sal, do seu céu, do seu cio, do seu sol, do seu sul... and of your soul, of your body (and nobody else..), e de você e de mim assim, úmidos. vai, agora me deixa entrar, e feche essa porta.
Escrito por Elise às 23h45
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(Foto colhida na web.)
...então ata-me
ao teu calor
mil vezes
antes da noite fenecer
e mata-me
de amor
mais mil,
até o sol nascer,
porque quando amanheço
sorvendo (d)a tua vida,
um recomeço nascente
- a vida embebida nesse poder -
arrebata-me
de poesia e sabor
e ardor e querer
e desperta-me
em doses corteses
do teu (de)leite
a me liqüefazer
de amor
e prazer.
Escrito por Elise às 03h27
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(Foto colhida na web.)
me deixa ouvir de novo os teus gemidos - eram tantos, e tão altos, que meu sussurro se perdia no teu eco, e só se achava dias depois, quando a saudade me apertava a garganta. aí virava grito, dor, desespero, desamparo e desalento. inquietude. - deixa, permita que eu te caminhe o corpo mais uma vez; cede ao meu desejo de te molhar a pele a conta-gotas. me umedece e me toca de novo. deixa minha língua esculpir teu desejo rijo, rubi. deixa eu enlaçar minha saudade às tuas pernas e mover meu quadril em tua direção. e então, deixa eu me fartar de você, deixa que eu te coma inteiro, todo, te abrace, te enlace, te festeje, te grite! me deixa dançar sob teu peso, me perder sob teu corpo e me achar liquida, solvente, diluída na tua lembrança, fluida na tua saudade. deixa que eu entre dissolvida por teus poros e me aloje onde você é mais firme, mais forte, mais compacto. dá teu ato todo de novo pra mim. dá o teu perfume, que emana em minha pele e me tonteia e asfixia. deixa que eu te tenha uma vez mais, deixa. deixa que eu me realize em cima, embaixo, entre... a última vez, a derradeira. mortal. me aquece, me aquenta, incendeia. deixa-me em ebulição e me deixa morrer ali, em efervescência nos teus braços...
Escrito por Elise às 00h28
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(Foto colhida na web)
A força
do teu verbo
o
t
e
r
e
caligrafa
meu adjetivo
concreto
e faz a transcrição
dessa poesia
mergulhar de forma
envolvente
(o corpo já imerso...)
e me atiçar
a rima quente
em frente
e verso.
Escrito por Elise às 18h26
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(Foto:Victor Melo)
lábios, nos lábios. mãos, nos entres. e pernas entrançadas, entrelaçadas, entretecidas. sal, saliva. mel... e um sussurro que adentra e invade meu corpo. segreda, rumoreja, zune, suspira, assopra... eriçada, eu; pelo timbre da tua voz, pelo eco dos teus gritos, pelo tom dos teus murmúrios. arrepiada e encrespada. torturantes, tuas mãos se demoram entre(as)linhas do meu desejo. passeiam, percorrem, enquanto me perco nos teus braços. arrebatamento. teu peito me rouba os ares e minhas pernas te furtam o senso. tumulto e barulho. e me prendes e te seguro e me apertas e te agarro. e vens e me tens e me abraça e me enlaça e com fome me come toda, tudo, tanto... tontura... vendaval tempestuoso, a tua respiração. e meu ar em movimento entremeios teus, e teu ar agitado entre os meios meus. corrente de raro efeito a te tomar a sanidade e me assanhar o desejo. atmosfera impetuosa, intensa, inquebrantável, irresistível. e tu, apaixonando. e eu, amando. e nós, resplandecendo e reluzindo. refletindo e iluminando. reverberando.
Escrito por Elise às 17h34
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(Foto:Shubina Olga)
porque a saudade espreita e espia e aperta minha carne, gritando teu nome. porque, na minha boca, nada há que não tenha, antes, vindo de ti. porque eu viro noites revirando a lembrança da tua língua alterando a minha percepção, a minha porção. intumescimento. porque meus poros se arrepiam e dilatam e crescem, na tentativa de alcançar você de volta. porque a reviravolta que a vontade de ti faz no meu corpo, explode em meu peito, que lateja e palpita e pulsa rápido, certeiro, implacável e acusador. porque molho travesseiros e lençóis e coxas na esperança de ter você de novo sobre o meu quadril. porque tenho febre e desespero de causa e de efeito. alta temperatura, alta voltagem. curto-circuito no vazio dos meus braços, no vão das minhas pernas. porque praias e mares e oceanos não me umedeceriam tanto quanto a tua rigidez convicta e insolente. porque eu deságuo meu sal e suor e mel pra destilar teu vácuo que cresce na mesma medida do meu desejo: fátuo, petulante e pretensioso. porque quando fecho os olhos, tua distância me assalta e rouba todos os meus sonhos. leva-os até você e deixa em troca teu cheiro cravado na minha derme: deleite e doçura, dureza e rudez. porque quando abro os olhos, tua ausência reflete toda a minha liquidez, todas as águas minhas, todo o meu mergulho na tua nostalgia, toda a fantasia da minha avidez que é crua, é nua e é tua. canibalismo. te comer entrelinhas e saciar a fome das minhas entranhas. porque tateio minha doença na esperança de que voltes e me salve. porque ainda és meu óleo e minha benção. minha cura. minha unção.
Escrito por Elise às 17h59
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